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Em uma das nossas últimas conversas por aqui no blog falamos sobre a importância do ESG e o tema de hoje está relacionado com um dos aspectos dessa sigla que é a governança. Mais precisamente, o processo de sucessão familiar que é importante em todos os tipos de negócio, porém ainda mais na indústria do agronegócio.

Antes de discorrermos acerca desse desafio, é necessário conhecer o que é sucessão familiar. De modo resumido, é a passagem de bastão, a transmissão da posse de um ou mais bens de uma geração a outra, naturalmente isso acontece entre pais e filhos ou entre pais e herdeiros. Contudo, não obrigatoriamente o comando dos negócios e propriedades de uma família devem ser geridos por seus herdeiros.

E esse é um dos motivos que demonstram o quão necessário é abrir discussões acerca do futuro dos negócios e o porquê de realizar um planejamento sucessório. De acordo com a pesquisa realizada com 367 produtores brasileiros em uma iniciativa em conjunto da KPMG com o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), 80% das empresas/propriedades do campo são auto tituladas como familiares, mesmo as de grande porte.

Sendo que 54% dos entrevistados indicam que entre outros desafios, o plano de sucessão é a demanda mais urgente. A situação aparece ainda mais alarmante quando nos são apresentados os índices de empresas que estão preparando as próximas gerações para assumirem os negócios, apenas 31% delas oferecem programas de treinamento para os futuros sucessores.

Além de garantir a perenidade do negócio, fazer esse planejamento a longo prazo ainda pode evitar discussões e auxilia os atuais tomadores de decisão a definir os cargos em que cada sucessor se destaca, se houver mais de um e se este tiver talento e interesse para tal.

Entretanto, não podemos ignorar os fatos de que os herdeiros podem não apresentar disposição para gerir os negócios e/ou não dispõe das ferramentas adequadas para fazê-lo, nesse caso existe a necessidade de se buscar profissionais adequados no mercado que deverão ir ao encontro com os interesses não só do sucedido, como de toda a comunidade que pode ser impactada por essa decisão.

E, como avaliar questões tão estratégicas como essas? Conselhos e fóruns familiares seriam caminhos mais democráticos para isso, todavia, a pesquisa aponta que esse tipo de prática ainda está longe de ser comum para empresas do agronegócio. Isso porque, apenas 29% das empresas familiares possuem um conselho de família, isso é, estrutura de governança responsável por propor e monitorar as atividades da família. Enquanto outros 11% informaram que realizam outros tipos de fóruns.

Apesar dos baixos índices, o relatório da pesquisa mostra que quando as empresas dispõem desse conselho há melhoras significativas no tratamento de conflitos, 63% delas dizem que se sentem mais confortáveis para conversar sobre conflitos e diferenças e que isso não interfere de modo negativo no ambiente de trabalho.

Um ponto levantado na pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC) e JValério Gestão e Desenvolvimento divulgada em 2021 mostram uma mudança de comportamento cultural nessa passagem de bastão. Isso se deve as mulheres estarem sendo reconhecidas como lideranças no campo, e 83% delas afirmam encontrar maior abertura para ocupar cargos de chefias e que o gênero não importa na tomada de decisão, estando aptas para serem sucessoras de sucesso.

Vale lembrar que o planejamento e consequentemente a escolha do sucessor não leva a perda imediata de poder dos patriarcas sobre suas propriedades e/ou negócios, esse é apenas um instrumento gerencial e jurídico utilizado para preparar todos os envolvidos na sua eventual ausência seja ela por falecimento, decisão voluntária ou não.

Gostaram de saber mais a respeito de Sucessão Familiar? Querem mais temas relacionados a governança no Agro?