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Por Evelyn Gomes

Nas semanas passadas noticiamos por aqui no blog da CBC Agronegócios o Mal da Vaca Louca e a Gripe Aviária e todas consequências que ela pode trazer não somente para a saúde dos animais, o mercado agropecuário e claro para a nossa saúde. Com a circulação de um possível contágio da doença, reacenderam questões relacionadas ao vegetarianismo e ao veganismo, duas correntes alimentares que abolem o consumo de carnes bovinas, suínas, aviárias e peixes. 

Apesar de parecidos os adeptos a esse tipo de alimentação existem diferenças entre si já que há vegetarianos que não possuem dietas tão estritas como é o caso dos lactovegetarianos que apesar de não adicionarem carnes em suas refeições e nem ovos, os laticínios estão liberados enquanto os ovovegetarianos não toleram o consumo de proteínas de origem animal exceto ovos. 

Os ovolactovegetarianos por sua vez são aqueles que juntam o consumo de laticínios e ovos para substituir o consumo da carne entre outros alimentos ingeridos, enquanto os veganos vão além do ato de comer carne, eles evitam o uso de qualquer tipo de produto que não tenha relação com a exploração animal: roupas de lã, couro, seda, cosméticos testados ou que contenham algum derivado animal na composição. 

Dito isso, a carne de laboratório não necessariamente é uma opção para vegetarianos e veganos isso porque as carnes cultivadas são carnes reais produzidas diretamente da célula animal por meio de um processo de produção parecido ao da fabricação da cerveja onde cientistas coletam uma pequena amostra de células de animais de criação sejam vacas ou galinhas e na sequência identificam as células que podem se multiplicar. 

Essas células são reproduzidas em um ambiente limpo, controlado e alimentados com nutrientes essenciais para que elas se repliquem naturalmente, em resumo são recriadas as condições que existem naturalmente dentro do corpo do animal. É carne sem o abate, onde você pode controlar a textura do alimento, outro benefício é que apenas uma célula é capaz de produzir centenas bilhões de quilos de carne. 

Um dos grandes pontos de destaque se refere a qualidade nutricional dessas carnes já que por ser produzida em laboratórios há maior controle de entradas e saídas para o sistema minimizando riscos de contaminação e menor chance de variabilidade o que pode minimizar doenças decorrentes de enfermidades contagiosas e/ou a má gestão de propriedades e falta de cuidados com as criações. 

Também existe a possibilidade de variação e adaptação de nutrientes em laboratório o que pode inclusive democratizar o uso dessa carne diminuindo a gordura saturada e o colesterol como por exemplo. Sem contar com o fato de que os animais são submetidos a altas doses de antibióticos que impactam a saúde humana, ainda que considerados seguros por agências sanitárias e reguladores nacionais e internacionais, eles acabam criando resistência em humanos na ingestão desses medicamentos. 

Outra substância ingerida por animais são os hormônios de crescimento que fomentam inúmeros debates na comunidade científica relacionando possíveis influências relacionadas à puberdade e até mesmo a tipos de câncer.

Vantagens das carnes de laboratório também são indicadas quando o assunto é meio ambiente já que reduzir o abate de animais pode ajudar a retardar mudanças climáticas já que o sistema alimentar é responsável por cerca de ¼ das emissões globais de efeito estufa sendo a maioria delas originadas da agricultura animal, desde o desmatamento até o transporte animal que são responsáveis pelo dióxido de carbono e metano. 

No entanto, a ideia da carne de laboratório não é substituir a carne de origem animal, é ser um suplemento para atender a demanda mundial futura de alimento, minimizando também o consumo de água e preservando as bio espécies. Apesar de ser pesquisado há anos, essa realidade ainda parece distante já que o único país que regulamentou a fabricação e comercialização desses produtos foi Singapura e ainda não há previsões oficiais para os Estados Unidos e até mesmo Brasil.

Contem para a gente o que acham dessa carne de laboratório? Substituiriam sua criação e o consumo das carnes de origem animal?