× ENTRAR CADASTRE-SE

Por Evelyn Gomes

Após a pandemia de COVID-19, iniciada há mais de 2 anos e que causou milhares de mortes ao redor do mundo, qualquer notícia que indique o aparecimento de uma nova epidemia já é capaz de colocar o mundo em alerta como é o caso da Gripe Aviária que apesar de ser um vírus conhecido e ter pouquíssimos relatos de transmissão em humanos, pode causar prejuízos para a mesa do consumidor e o agronegócio como um todo. 

A gripe aviária é um vírus influenza do tipo A que tem origem em aves e cientificamente conhecido como H5N1 foi identificado pela primeira vez em 1990 no sudeste asiático e nos anos 200 passou a circular pelos continentes africano e europeu com modificações genéticas e agora tem assustado a Europa e os Estados Unidos onde até o final de 2022 o vírus foi identificado em mais de 100 espécies de aves selvagens como patos, gaivotas, gansos, falcões e corujas.

Pássaros canoros são os principais responsáveis pela transmissão do vírus, em geral àqueles que se reúnem em comedouros como cardeais, pardais ou gaios-azuis. O vírus carrega altas taxas de mortalidades muito altas entre galinhas e perus e que entre 90% e 100% que morrem em até 48 horas após a infecção, caso seja detectado algum foco da doença é necessário o abatimento de todas as aves, inclusive as saudáveis para que não haja o avanço do vírus. 

Esse vírus já se encontra em circulação em outros 15 países das américas além dos Estados Unidos, entre eles Canadá, México, Honduras, Panamá, Guatemala, Cuba, Equador, Venezuela, Peru, Chile, Colômbia e aqueles que fazem fronteira com o Brasil como Argentina e Uruguai responsáveis por trazer maior preocupação ao agronegócio brasileiro pela proximidade com a região sul do nosso país que é o maior exportador de carne de frango do mundo representando 80% do volume total além de responsável por 65% da produção nacional do produto. 

Apesar do Brasil nunca ter sido atingido pela Gripe Aviária e os protocolos de segurança nacional serem considerados muito mais eficazes, a proximidade do vírus preocupa o mercado e inclusive impactou a bolsa de valores na última quinta-feira, 16/02, causando queda nas cotações dos papéis da BRF e JBS. 

Além de pressionarem as cotações de milho na B3 cujos preços futuros com vencimento para março/2023 sofreram queda de 0,07% cotado a R$ 88,34 enquanto os de maio/2023 apresentaram um revés ainda maior caindo 0,49% sendo negociados a R$ 88,95, em compensação os vencimentos futuros para julho e setembro tiveram elevação de 0,36% e 0,49% cujos preços alcançaram R$ 88,22 e R$ 88,11 respectivamente. 

A preocupação é latente também por parte do Governo Federal que por iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou o livro multímidia “Diálogos para Prevenção da Influenza Aviária” como parte da campanha “Influenza Aviária?, aqui não!”.

Fonte: MAPA

Todo esse alarde não é atoa, porque caso esse vírus atinja aves comerciais o mercado externo poderá ficar fechado entre 30 e 45 dias para maior compreensão acerca dos focos incluindo dados qualitativos e quantitativos. Após esse período é possível que mercados ágeis e que não tenham outras opções de fornecimento como o Oriente Médio, reabram. Entretanto, os demais mercados tendem a iniciar sua abertura em um período que pode variar entre 60 a 90 dias. 

O consumo nacional de carne de frango e de ovos também tende a ser afetado, com uma produção menor de ovos, o preço dessa proteína tende a aumentar, o que diminuiria também a média dos 257 ovos por ano que cada brasileiro consome segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABA). 

Uma forma de evitar a contaminação da gripe aviária no consumo é cozinhar aves e ovos a 75 graus celsius, temperatura que elimina todas as bactérias e vírus presentes no alimento. 

Contem pra gente o que acham desse surto de Gripe Aviária, também estão preocupados?