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O uso de ferramentas digitais, como aplicativos que gerenciam fazendas e sites que ajudam a prever o clima, está em crescimento na agricultura brasileira e movimenta o mercado de startups.

Essas empresas encontram facilidade para obter investimento, mas também uma serie de barreiras para expandir —de questões estruturais, como o acesso ruim à internet em alguns locais, à dificuldades para criar um modelo de negócio adequado ao setor agrícola, ainda reticente as inovações.

“A interação dos negócios com o produtor rural está se transformando. Existe uma insegurança por um lado, porque é um setor que preza muito pela tradição, mas por outro necessita de mais velocidade e informação”, diz Fábio Matuoka Mizumoto, professor especializado em agronegócio da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas).

“O mercado agrícola é muito aberto à tecnologia, só que não é digital. Então temos que transformar o cliente em alguém que usa e confia nessas ferramentas”, diz o biólogo Antônio Morelli, que atuou dez anos como consultor no setor rural.

Há dois anos ele decidiu abrir a startup AgroNow, ao lado de três sócios. A plataforma on-line da empresa usa uma mescla de dados históricos e imagens de satélites para monitorar e prever o resultado de uma determinada plantação.

Para colocar a ideia em prática foram quatro anos desenvolvendo um algoritmo que fazia a análise dos dados e depois mais dois anos para criar a empresa.

“Tivemos um desafio tecnológico, de como transformar um algoritmo matemático em um processo automatizado. E depois veio o desafio comercial”, afirma ele.

A AgroNow entrou em funcionamento em fevereiro de 2016, após receber R$ 2,5 milhões de um fundo de investimentos. A previsão é fechar o ano com um faturamento de cerca de R$ 1,5 milhão, segundo Morelli.

“A transformação digital que vivemos hoje é muito clara, e no setor agrícola não é diferente”, diz Mateus Barros, da The Climate Corporate. A empresa, que pertence à Monsanto, criou um fundo para investir nas “agritechs” —nome usado no mercado para se referir a startups de agricultura.

APROXIMAÇÃO
Segundo o consultor do Sebrae-SP Fabio Brass, outra vantagem da evolução digital é oferecer ao produtores a possibilidade de gerenciar a produção a distância. “O produtor rural é muito isolado e disperso, então precisa de ferramentas que encurtem o acesso às informações.”

Foi de olho nisso que a BovControl nasceu em 2013. Ela oferece um aplicativo que permite ao dono ter acesso a dados da fazenda, como informações financeiras e de pastagem, de qualquer lugar. Aos poucos, a empresa ampliou o escopo e incluiu também outras áreas do agronegócio.

“Começamos como um aplicativo que ajuda a vida do dono da fazenda e hoje somos uma plataforma que visa toda a cadeia. Nosso usuário não é mais só o pequeno produtor”, diz Marcelo Murachovsky, head designer da companhia.

As mudanças facilitaram o crescimento da empresa, que em 2014 mudou sua sede de São Paulo para San Francisco, nos Estados Unidos e já está presente em 30 mil fazendas no mundo.

Uma mudança no meio do caminho também aconteceu com a CBC Agronegócios, que permite a compra e venda de produtos agrícolas pela internet. Ao entrar em funcionamento, no fim de 2015, ela cobrava uma taxa por cada transação feita pela plataforma.

“Como a margem de lucro do produtor é muito pequena, qualquer valor cobrado é alto, e percebemos isso”, diz o diretor de operações da empresa, Eder Campos. A solução foi alterar o modelo e cobrar apenas uma taxa de assinatura do serviço. “Depois da mudança, passamos a crescer mais de 20% ao mês”, afirma o executivo.

‘POPEYE’
De olho no potencial do mercado de startups agrícolas, grandes companhias têm criado iniciativas para investir na área e não ficar para trás.

“A inovação não vai sair só das grandes corporações. As startups estão atrás de soluções que beneficiam todo o mercado, está tudo ligado”, diz Barros, da The Climate Corporation.

Em parceria com a Microsoft, a empresa criou um fundo de R$ 300 milhões destinado a iniciativas brasileiras.

A primeira rodada de aporte começou em agosto e teve 80 interessados. As escolhidas ainda estão sendo definidas e receberão entre R$ 250 mil e R$ 1,5 milhão. A alemã Basf criou iniciativa semelhante para toda na América Latina. O projeto oferece até R$ 150 mil e monitoria por até dez meses —depois desse período, a empresa iniciante deve buscar novos investimentos no mercado.

“A ideia é que o projeto funcione como o espinafre do Popeye, fazendo a empresa crescer”, diz Almir Araújo, gerente da Basf.

“A iniciativa faz parte de uma estratégia de levar a digitalização ao campo. A ideia é criar junto com as startups, não adianta apenas fazer o investimento”, por isso temos um programa completo”, diz Araújo.

Os fundos buscam empresas em estágio inicial, mas que já estejam em operação. “Antes disso, é melhor o empreendedor amadurecer a ideia antes de apresentar ao mercado”, afirma Araújo.

Para Brass, do Sebrae-SP, as iniciativas são uma prova do aquecimento do setor. “Temos hoje um elevado número de startups com crescimento de demanda, principalmente promovido pela disponibilidade de fundos”, afirma.”Hoje se alguém tem interesse, consegue o investimento, seja público seja privado”, completa ele.

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