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A intensificação dos conflitos entre Rússia e Ucrânia após a invasão militar de tropas russas no país vizinho em 24 de fevereiro de 2022 expõe ao mundo a interdependência entre nações e sobretudo no agronegócio. Isso porque, o leste europeu é responsável por 20% da produção mundial de fertilizantes e corresponde a 28% das importações brasileiras.

Apesar dos estoques garantidos até junho desse ano, a preocupação dos produtores está relacionada ao plantio das próximas safras, a escassez de fertilizantes que pode ocorrer como efeito colateral da guerra fez com que agricultores antecipassem suas compras causando superlotação em portos como o de Paranaguá, que é a principal porta de entrada para esse tipo de produto. Nos primeiros 3 meses de 2022 o aumento no volume de cargas recebidas foi de 600 mil toneladas, 26% a mais se comparado com o mesmo período do ano passado.

Nem a elevação de preços desses itens que foi acumulada desde 2022 e já ultrapassa os 32%, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) não foi capaz de frear as compras, isso porque 85% de todo o fertilizante consumido no país é fruto da importação. O Brasil é o quarto maior comprador global dos insumos, estando atrás apenas de nações como Índia e Estados Unidos, e é considerado o importador mundial de NPK (Nitrogênio, Potássio e Fósforo).  

Tal dependência poderia ser reduzida, se plantas nacionais destinadas a fabricação de fertilizadores não tivessem sido hibernadas ou projetos tivessem sido abandonados. De acordo com o SINPRIFERT (Sindicato Nacional da Indústria de Matérias Primas para Fertilizantes) o acréscimo na produção seria de 9,5 milhões de toneladas e representariam 62% das 15 milhões de toneladas que já são atingidos anualmente.

Outra saída para minimizar os efeitos ocasionados pela guerra seria o uso de fertilizantes biológicos como já acontece nas produções de soja e milho gerando uma economia bilionária ao setor do agronegócio como um todo. Insumos originários de vírus, bactérias e fungos extraídos do solo, das plantas, e até excrementos de animais, respondem por pouco mais de 2% do mercado e podem ampliar essa fatia chegando aos 30% até 2030.

 Apesar de ter crescido 37% no último ano, o ramo de adubos biológicos ainda sofre a resistência do desconhecimento por parte de produtores. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Controle Biológico (ABCBio), 43% dos entrevistados não sabiam sobre a utilização destinada ao controle de pragas enquanto 39% não conheciam a função dos fertilizantes biológicos como biopesticidas. Contudo, as vantagens do uso dos adubos biológicos vão além da sua capacidade de multiplicação em laboratórios, a transição dos químicos para eles atende também uma demanda ambiental.

  Quais tipos de fertilizantes vocês usam? Já sentiram os efeitos da guerra no processo de compra ou recebimento?

Contem para a gente a experiência de vocês!