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Por Evelyn Gomes

Na última quinta-feira, 19 de maio, o governo federal publicou no Diário Oficial da União (DOU) o decreto que visa regulamentar o mercado de crédito de carbono no Brasil com o intuito de exportar às empresas e países que precisam neutralizar suas emissões de carbono. Isso porque, segundo estudos o nosso país tem a capacidade de suprir 22% da demanda mundial desses créditos que até então era realizados somente de modo voluntário por aqui.

Esse tema é de suma importância para o agronegócio, pois as emissões desses gases potencializam o aquecimento global e intensificam os efeito de fenômenos climáticos como os El Niño e La Niña que impactam a vida do produtor rural e de toda a cadeia produtiva. Pensando em questões como essa, o decreto também estabelece os procedimentos para a elaboração dos Planos Setoriais de Mitigação das Mudanças Climáticas e institui o Sistema Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Sinare).

Mas, afinal o que é esse crédito? Na prática, ele representa o equivalente uma tonelada de dióxido de carbono (CO2eq) que pode ter sido sequestrada pela atmosfera e/ou não foi emitida. Cada tonelada dessa é comercializada em média no valor de 10 dólares americanos, esse preço é fruto do valor acordado pela coalizão Leaf, assinada pelos governos dos Estados Unidos, Noruega e Reino Unido e que pode gerar ao Brasil US$ 100 bilhões de lucro.

A ideia de criar um mercado desse tipo de crédito surgiu a partir das metas limitantes que cada país deve obedecer na emissão dos gases de efeito estufa e começaram a serem estabelecidas com a formação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC), durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, foi amadurecida pelo Protocolo de Kyoto em 1997 e reavivado em 2015 com o Acordo de Paris.

O mercado de carbono é um instrumento econômico para se precificar o carbono e se gerenciar o seu orçamento global que é a meta geral de gases estufa que podem ser emitidos para a atmosfera. Ele estabelece um limite em que cada setor da indústria pode gerar e então cada estado/país distribui permissões de acordo com esses limites.

Na prática, quando uma indústria tem maior controle sobre suas próprias emissões, ela pode ter essas permissões sobrando e as comercializar com outras indústrias que precisão emitir maior quantidade de gases para suprir a sua produção.

Cada governo pode precificar e determinar o método de distribuição: seja fornecendo gratuitamente, vendendo, realizando leilões etc. E a cada período de renovação, esses governos vão diminuindo os limites de gases e assim os valores de crédito vão ficando maiores devido a sua escassez. E dessa forma obrigando os setores a investirem em tecnologia para diminuírem suas emissões.

E indústrias que não tem regulamentação por governos podem comercializar voluntariamente seus créditos de carbono a partir de projetos que dever ser certificados e que indicam a redução de emissões para gerarem esses créditos com tecnologias e que comprovem que na ausência delas a emissão de gases seria muito maior. E como o agronegócio pode se beneficiar do crédito de carbono? Estima-se que o setor agropecuário tem um potencial de geração de crédito de R$ 9 bilhões até 2030, obviamente serão necessários investimentos para se atingir tal marca, principalmente em sistemas de integração como o Lavoura-Pecuária (ILP), Lavoura- Pecuária-Floresta (ILPF) e na Agricultura de Baixo Carbono (ABC), além da utilização da técnica de rotação de culturas. Esse sistema de crédito já está sendo considerada como a commodity do futuro e por vezes chamada de 3 safra.

Fonte: Blog Aegro

E como uma das indústrias consideradas mais poluente pode se tornar mais do que geradora de créditos de carbono, uma neutralizadora das emissões de CO2?

No plantio direto, quando a planta realiza a fotossíntese parte do carbono é aderido ao solo enquanto outra parte é destinada a biomassa da planta que está integrada ao solo. Atualmente não somos capazes de quantificar a existência de carbono porém a partir de análises da qualidade do solo juntamente com análises de carbono e densidade aparente do solo e da biomassa de raízes da planta será possível verificar a evolução e mensurar em toneladas esse CO2 armazenado e transformá-lo em créditos e em um futuro próximo ser uma nova fonte de renda para o produtor.

O que acham do Crédito de Carbono? Querem que aprofundemos o tema?