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O agronegócio é o setor que paga mais caro pelo frete no Brasil, em média R$ 1,03 por quilômetro rodado por eixo, enquanto o valor médio de outras indústrias é de R$ 1,01. Segundo o Índice FreteBras do Preço do Frete (IFPF) as regiões sul e sudeste são as que apresentam maior custo, R$ 1,02 em oposição as regiões Centro-Oeste e Nordeste cujos fretes por quilômetro por eixo rodado ficaram abaixo de R$ 1,00, batendo R$ 0,99 e R$ 0,92 entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano.

Os altos custos de transportes podem ter como uma das explicações o número menor de veículos disponíveis para o transporte se comparado com o volume de cargas a serem transportadas, ainda que o valor do frete tenha sofrido aumento de 0,87% em comparação com o mesmo período de 2021, essa variação não acompanhou nem de perto os 41,48% de aumento no preço do diesel S500 na bomba conforme registrado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Fonte: Suinocultura

Outras explicações estão relacionadas a problemas de infraestrutura logística no Brasil, 75% de todo produto transportado no Brasil é feito via modal rodoviário enquanto o setor agro apresenta uma dependência de 65% do transporte via caminhões. Esse não seria um problema tão grave se 6 em cada 10 rodovias do país não estivessem em estado regular, ruim ou péssimo de conservação de acordo com a Confederação Nacional de Transportes (CNT).

Fonte: Canal Rural

Estradas malconservadas aumentam os custos dos embarcadores com manutenção de veículos sem contar que os trechos requerem maior atenção e cuidado no transporte da carga, o que encarece ainda mais o transporte. Estima-se que 85% dos grãos conduzidos pelas rodovias precisam viajar 1,5 mil quilômetros até chegar aos portos ou estados destinos. Em custo logístico isso representa 20,7% do faturamento bruto das empresas donas das cargas, essa taxa é o triplo do praticado em países como Argentina e Estados Unidos, é o que informa Camilo Adas, Conselheiro de Tecnologia da SAE (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade).

Outro problema que impacta diretamente no bolso de toda cadeia produtiva é o de armazenagem, atualmente o Brasil tem a capacidade de estocar 180,6 milhões de toneladas de grãos tendo como número ideal para a segurança alimentar de 100% a 120% da produção que foi de 268,2 milhões de toneladas em 2021. Em outras palavras, o agricultor tem que vender a sua safra no momento da colheita ficando refém do transporte para não sofrer com perdas financeiras, sendo assim ele não consegue aproveitar as oscilações do mercado que poderiam aumentar a sua margem de lucro, como acontece no país norte-americano onde eles aumentam os estoques, porque esses estoques de grãos são os controladores de preço.

Isso acontece porque o maior custo logístico deles é com armazenagem, e isso representa apenas 35% do custo logístico, ao contrário do que acontece no agro nacional que 65% desse custo é consumido pelo transporte de longa distância e tarifas portuárias. Contudo, esse cenário tende a melhorar até 2035 através da conclusão de obras essenciais para o setor e projetos já postos em prática como o BR do Mar que é o estímulo do transporte por cabotagem, a navegação entre portos ou pontos da mesma costa de um país, e o Marco Legal das Ferrovias, um conjunto com 25 projetos de implementação de ferrovias que prometem dar maior relevância a esse tipo de transporte que também auxiliaria na redução dos fretes.

Esses projetos vão ao encontro com as ideias propostas na Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transporte (PLIT) da Fundação Dom Cabral, que consiste em uma intermodalidade logística como uma Espinha de Peixe, isso é, uma matriz em que o grande tronco seria o hidroviário ou ferroviário, e as espinhas alimentadoras seria o transporte rodoviário que passaria a concentrar viagens mais curtas.

Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura Logística da FDC, salienta que o Brasil necessita de três corredores ferroviários, e de dois hidroviários no sentido Norte – Sul, que permitiriam suprir os mercados do Sudeste, Nordeste e parte do Norte além do Mercosul. Com isso, as cargas realizadas por caminhões representariam 40,3%, por trens saltaria de 19,3% para 50,8% e o transporte aquaviário cairia de 15,7 para 8,9% em volume de dependência do agronegócio.    

Quais são os problemas que você produtor enxerga no quesito transporte? E você, comprador?

Concordam com as medidas sugeridas? Quer que a CBC Agronegócios aprofunde o debate?