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Por Evelyn Gomes

O trigo é uma das commodities mais importantes no cenário mundial por ele ser uma matéria prima importante na produção de alimentos básicos que garantem a segurança alimentar, e o Brasil novamente vem sendo destaque na produção do item indo na contramão de vários países ao redor do globo apesar dele ainda ser um dos maiores produtos de importação nacional como os fertilizantes.

Segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de Maio realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), houve um crescimento superior a 13,6% na produção em comparação com o ano de 2021 totalizando 8,879 milhões de toneladas, uma soma considerada recorde. Quase 90% da produção de trigo é compreendida pela região sul do país, tendo o Paraná como maior produtor nacional responsável 3,9 milhões de toneladas, o equivalente a 43,7% do total brasileiro.

Apesar dos excelentes números de 2022, essa quantidade ainda não é suficiente para suprir nossa demanda que atualmente chega a 12 milhões de toneladas anuais. Atualmente importamos mais de 50% do nosso consumo em trigo da Argentina que nessa safra viu a capacidade produtiva dessas comodities diminuir por mudanças climáticas que tem causado escassez de água e deve alcançar 18,6 milhões de hectares contra os 21,9 milhões de toneladas da última safra enquanto o volume de exportações poderá chegar aos 12,6 milhões até o final do ano.

Outro país que vê sua produção despencar é a Índia, a expectativa inicial dos produtores indianos era de 111,9 milhões de toneladas um número recorde se comparado com as safras de 2021/2022 quando colheu 109,59 milhões de toneladas de trigo. No entanto, as altas temperaturas, as mais altas em 122 anos, rebaixaram as quantidades para 105 milhões de toneladas do cereal para este ano, uma perda produtiva avaliada em 6%.

De acordo com boletim do órgão executivo da União Europeia, o bloco também sofrerá com reduções, para a safra 2022/2023 inicialmente estavam previstos 130,4 milhões de toneladas, no entanto a soma não deve ultrapassar as 125 milhões já que países como França, Polônia, Romênia e Espanha indicaram reduções sem apresentarem maiores detalhes. Contudo, os números relacionados as exportações ainda tendem a quebra de recordes já que as projeções apontam para 38 milhões de toneladas.

Os Estados Unidos também não ficaram ilesos aos efeitos das mudanças climáticas e viram os números da produção de trigo despencarem em 8% enquanto os produtores australianos comemoram uma colheita anual projetada em 36,3 milhões de toneladas, os russos por sua vez também têm motivos para comemorar já que indicadores apontam uma colheita superior aos 83 milhões de toneladas.

Mais do que dados referentes a exportações, esses números demonstram a necessidade global desse cereal e que foi altamente impactado pelos conflitos entre Rússia e Ucrânia, e com isso o Brasil pode ter uma oportunidade já que exportou 2,5 milhões de toneladas no último ano e pode atingir a autossuficiência do trigo em até 10 anos segundo o estudos realizados pelo EMBRAPA.

Vocês negociam já negociam pela plataforma da CBC? Produzem ou consomem trigo?

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