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Por Evelyn Gomes

Nós da CBC Agronegócios já falamos algumas vezes aqui no blog a respeito dos temas sustentabilidade e a redução de emissão de carbono (CO2) que são além de uma tendência, uma preocupação mundial cujas indústrias automobilísticas têm se alinhado cada vez mais investindo não apenas na criação de novos modelos como também em formas de torná-los ainda mais populares entre os consumidores.

De acordo com as propostas presentes no Acordo de Paris, a União Europeia tem o objetivo de barrar a circulação de carros movidos a combustíveis fosseis até 2050 e prevê uma antecipação da meta já para 2025. A Noruega é um dos países que melhor tem exemplificado essa mudança já que 50% das compras de veículos no país em 2020 foram de modelos elétricos. O continente europeu como um todo apresentou um crescimento de 137% na aquisição de modelos elétricos representando 14 milhões de carros em 2020 segundo dados da Consultoria sueca EV-Volumes.

O mercado brasileiro por sua vez também tem seguido essa tendência e registrou a compra de 1,6 mil carros elétricos e/ou híbridos em janeiro de 2020, um percentual de ascensão de 320% em comparação com o mesmo período do ano anterior. E, não são apenas os veículos considerados utilitários ou “de passeio” que contém motores elétricos, já existem modelos de caminhões 100% elétricos como o Volkswagen e-Delivery, Jac Motors e BYD além do Scania 45R.

Apesar de benéfico para o meio-ambiente, a popularização do uso de veículos elétricos têm sido motivo de polêmicas e grande preocupação no agronegócio, e por quê? Bom, primeiramente porque essa transição representa uma diminuição na demanda por biocombustíveis a base agrícola. Estima-se que será possível sentir a diminuição no consumo de etanol já em 2030 o que pode fazer com que as usinas brasileiras fiquem sem opções, sendo obrigadas a produzir apenas açúcar ao invés de etanol gerando uma oferta do produto no mercado global muito acima do que a demanda.

Essa mudança pode provocar ainda um grande revés global no mercado de açúcar já que o Brasil é o maior exportador do item e os efeitos negativos dos superávits mundiais e os preços mais baixos poderão ser sentidos em países como Índia e Tailândia onde os custos de produção são ainda mais elevados. Essa mudança também repercute negativamente em empresas nacionais que investiram seus recursos na expansão da capacidade produtiva de etanol.

A produção de etanol é equivalente a mais de 50% de toda a cana moída no Brasil e que pode começar a diminuir a partir de 2025, tendo um recuo de aproximadamente 40% em 2035 segundo cenários pessimistas traçados por especialistas ainda existe a possibilidade de existirem perdas adicionais de 20% entre 2035 e 2040 o que consequentemente faria com que a demanda pelo combustível seja apenas 40% do nível atual.

Esse cenário é considerado péssimo para toda a cadeia do agronegócio já que a cana-de-açúcar que é a principal fonte do biocombustível é a matéria prima considerada como um dos carros chefes do agro brasileiro. De acordo com a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) a produção dessa safra será superior a 630 milhões de toneladas, apenas 35,5 bilhões de litros a menos que os Estados Unidos que ocupa o posto de maior produtor global do biocombustível.

Então, estamos fazendo apologia contraria ao uso de veículos elétricos? Não, claro que não, até porque já existem alternativas que juntam o interesse dos veículos elétricos e o uso do biocombustível através da Célula de Óxido Sólido (SOFC) cujo ambos os tipos de alimentação de energia podem ser concomitantes e uma solução que agrada vários públicos.

Contem para a gente, o que acham do tema? Vão aderir aos veículos elétricos?