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Por Evelyn Gomes

No conteúdo especial de hoje vamos falar sobre um tema que é muito discutido quando se fala em logística de cargas no nosso país sobretudo quando as conversas envolvem o agronegócio. Na semana passada falamos da dependência que existe no modal rodoviário e hoje vamos mostrar como o transporte por trem não é apenas uma alternativa senão um complemento.

Prova disso é que no último quadrimestre desse ano o Brasil bateu recordes no transporte de produtos agrícolas sobre trilhos, ao total foram 25 bilhões de toneladas cujos principais produtos foram soja, farelo de soja, milho, trigo, açúcar e outros granéis de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional dos Transportadores Rodoviários (ANTF).

O crescimento desse tipo de transporte foi de 127% desde o ano de 2010 considerando dados entre os meses de janeiro e abril de cada ano, tomando como referência apenas o ano passado o aumento da utilização dele também pode ser considerada como exponencial já que atingiu uma marca superior a 14,19%. Apesar de excelentes números a malha ferroviária representa apenas 15% da matriz de transporte nacional segundo informações do governo federal que tem como objetivo dobrar esse número nos próximos 10 anos com o intuito de reduzirem os custos em logística além de melhorar a eficiência no escoamento das safras, isso porque, o frete ferroviário tende a ser mais vantajoso para grandes quantidades de cargas cuja distância é superior a 300 quilômetros.

Para demonstrar tal dado basta apenas comparar a capacidade de transporte de uma composição ferroviária composta por 120 vagões que é equivalente a 368 caminhões graneleiros além dessa vantagem há a preocupação com o meio ambiente já que uma composição dessas é capaz de emitir até 85% menos de dióxido de carbono (CO2) conforme pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain – ILOS em parceria com ANFT que também indica que apenas 2,88% das emissões poluentes de CO2 vieram do transporte sobre trilhos no ano de 2020.

E como se tais prerrogativas acima não fossem suficientes para justificar os constantes investimentos no setor que vem sendo realizados como os mais de 22 bilhões em renovações e contratos destinados a ampliação da malha ferroviária no ano passado, são pelas ferrovias que 40% de todas as commodities exportadas chegam aos portos do país. No caso de alguns produtos como o milho o crescimento na utilização de trens como meio de transporte foi gigantesco em comparação com 2021 chegando a 156,9% nesse ano, seguido por açúcar que teve alta de 6,6%, a soja apresentou 4,1% e o minério de ferro aumentou 3,9%.

Apesar dos inúmeros projetos viabilizados pelo Ministério da Infraestrutura nossa malha ferroviária tem apenas 30 mil km de ferrovias habilitadas para tráfego o que configura uma densidade ferroviária de 3,1 metros por quilômetro quadrado o que é considerada bem pequena comparativamente com Estados Unidos (150 metros/KM2) e até mesmo com nossos vizinhos, a Argentina (15m/KM2), lembrando que apenas 2.450 quilômetros da nossa extensão são eletrificados.

Nos próximos posts vamos aprofundar mais nesses empreendimentos apresentados que terão conexão com sete estradas de ferros que já estão com operação regular e cortam nove estados da federação: Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Piauí e Pernambuco.

Contem para a gente o que acham sobre o transporte ferroviário!