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Safra 2018/19 deve ter custo maior com alta do dólar

Mais embate China x EUA deve impulsionar exportações

Foi dada a largada e as apostas já começaram. Enquanto o plantio se iniciou em algumas das regiões produtoras, institutos de pesquisas e consultorias lançam as estimativas de toneladas a serem produzidas. Há quem aposte que esta safra seja recorde, acima dos 240 milhões de toneladas de grãos. Contudo, há quem projete em um pouco menos, ao redor de 225 milhões.

Levantamento da Cogo Consultoria mostra que a safra deverá chegar à produção recorde de 246,2 milhões de toneladas, crescimento de 7,1% em relação à safra anterior, com expectativa de crescimento das áreas plantadas de milho e de soja, puxado pelo Nordeste, que deve crescer 8,7%. Ao todo, 63,2 milhões de hectares de grãos devem ser plantados.

Para isto, como sempre, os produtores dependem do clima. Este ano há previsão de El Niño moderado, com possibilidade de um veranico um pouco maior durante o verão em algumas áreas do oeste da Bahia e do sudeste do Piauí. Os custos e a comercialização merecem atenção, principalmente, com o mercado externo e com o dólar. A cotação da moeda estrangeira se sustenta no nível de R$ 4 desde agosto deste ano, e chegou ao maior valor da história do plano Real, a R$ 4,20.

Mesmo que as apostas para o câmbio estejam condicionadas ao cenário eleitoral, o pesquisador da GV Agro, Felippe Serigati, endossa que o dólar deve permanecer pressionado nos próximos meses, visto que os Estados Unidos têm tomado decisões que tendem a acelerar a inflação do país.

“O mercado de trabalho norte-americano está fortemente aquecido, há as barreiras comerciais com a China, e para segurar a inflação mais acelerada, os Estados Unidos têm elevado os juros básicos”, diz o pesquisador. A aposta do mercado é que o banco central norte-americano eleve o juro em dezembro pela quarta vez no ano, indo a 2,25%-2,50%.

Para Serigati, no curto prazo, todos esses efeitos podem favorecer o preço da soja por aqui. Porém, no médio e longo prazo, “será preferível um ambiente mais estável, seja aqui dentro, seja lá fora. O momento tem sido de muita volatilidade”, destaca.

Contudo, o consultor de grãos, Carlos Cogo, diz que aumento dos custos de produção será praticamente anulado pela alta repassada para os preços da soja, do milho e algodão. “Mantendo margens positivas e elevadas na maior parte das regiões”, comenta. Cogo estima que a taxa média de câmbio para composição dos custos de produção seja de R$ 3,71, enquanto para a comercialização fica em R$ 3,85. Mas condicionado ao resultado das eleições e do mercado externo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil é o terceiro maior exportador agrícola do mundo, com 5,7% do mercado global. O país está atrás apenas dos Estados Unidos (11%) e a Europa (41%). Em relação às mudanças climáticas, o Brasil responde por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.

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